Simões Filho: Quilombolas denunciam, irregularidades no processo de vacinação “Tinha nomes de pessoas estranhas na lista”

496

 

DENUNCIA: As comunidades quilombolas começaram a ser vacinadas nesta terça-feira (23) em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). No entanto, diferente do que tem propagado pelas autoridades do município, as coisas não saíram como o esperado e uma das comunidades denunciou indícios de irregularidades.

Lideranças da comunidade Rio dos Macacos declararam ter presenciado diversas irregularidades durante a vacinação, inclusive a escolha de pessoas sem critério para a vacinação e o nome de pessoas que não são reconhecidas pela comunidade na lista enviada pela Secretaria Municipal de Saúde.

CONTINUA APÓS PUBLICIDADE

“A realidade é outra. Quando chega na comunidade a maioria das pessoas não foram vacinadas. O governo municipal, pra poder dar uma resposta em relação a vacinação, pegou algumas pessoas e botou lá na lista deles pra ser vacinada e por isso teve muita gente da comunidade que voltou pra casa sem vacinar, porque não estava na lista”, disse a líder Rosemeire.

Segundo a quilombola, ela e outros líderes da comunidade chegaram a apelar para que uma família em extrema situação de vulnerabilidade recebesse a vacina, mas seu pedido foi negado, gerando um certo desconforto entre os próprios moradores .

“Eu hoje estou me sentido muito mal com tudo isso, vendo as pessoas querendo tomar a vacina e eles não liberarem. Falaram que estavam cumprindo ordens e botaram nomes de pessoas que eu não reconheço”, relatou ela.

Rose ainda disse que chegou a pedir uma cópia da lista para fazer uma triagem dos nomes, mas não foi autorizada pela funcionária da prefeitura. Nesse sentido, a comunidade resolveu catalogar por conta própria o número de moradores vacinados, com o intuito de construir um documento para acionar o Ministério Público.

“O que aconteceu aqui eu tenho certeza que vai acontecer em outras comunidades. Eles divulgaram em vários sites que a comunidade tomou a vacina, mas na verdade, nem 1% da comunidade foi vacinada”, lamentou Rose.

De acordo com a comunidade, existem algumas pessoas que não vivem atualmente no território do quilombo porque tiveram suas casas desapropriadas, mas são reconhecidos pelo relatório do INCRA e por isso teriam direito à vacinação, mas não foram contemplados.

Também conforme os moradores, o Quilombo Rio dos Macacos vive em condições de verdadeiro abandono por parte do poder público, com péssimas condições de saneamento e sem água potável, o que torna o combate ao coronavírus ainda mais difícil.

Nota do Redação: A SESAB precisa realizar uma auditoria, para apurar as denuncias, feitas por lideranças da comunidade Quilombola, pois os fatos narrados são inaveitáveis.

Fonte: Informe Notícias