FALTOU VACINAS: Prefeitura de São Paulo é obrigada a suspender vacinação contra covid-19 nesta terça-feira após falta de doses

Mais de trezentas unidades de saúde, 64% do total, interromperam a aplicação por falta de vacina nesta segunda-feira. Gestão municipal fala em ‘alta adesão’ de público-alvo e prevê retomada na quarta-feira com a chegada de novo lote

A Prefeitura de São Paulo decidiu suspender a vacinação contra a covid-19 nesta terça-feira, 22, após centenas de unidades de saúde ficarem desabastecidas nesta segunda-feira, 21. A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) informou que nesta terça os estoques serão repostos com o repasse de 188 mil doses previsto pelo governo do Estado. Na quarta-feira, 23, a cidade prevê retomar a vacinação para pessoas de 49 anos e para as segundas doses. 

O esgotamento do estoque foi justificado em razão da “alta adesão” do público entre 50 e 59 anos, que segundo a Prefeitura foi 90% vacinado. “A rede municipal de saúde iniciou esta segunda-feira, 21, com cerca de 50 mil doses de vacinas contra a covid-19 em estoque. Às 13h, o estoque médio era de 22 mil doses, por isso, parte das unidades registrou falta temporária do imunizante”, informou a Secretaria Municipal de Saúde.

Centenas de unidades de saúde da cidade de São Paulo registraram falta de vacinas contra a covid-19 nesta segunda-feira, 21. O desabastecimento, que já tinha sido notado em menor escala ao longo do fim de semana, interrompeu parcialmente a aplicação no dia voltado para a chamada repescagem, uma segunda oportunidade para pessoas de 50 a 59 anos que perderam a primeira chance na semana passada. 

A Prefeitura de São Paulo conta com 468 Unidades Básicas de Saúde (UBS) habilitadas para aplicar a vacina contra covid-19, além de três centros de saúde e 17 serviços de atenção especializada. O funcionamento da maioria dessas unidades ocorre entre 7h e 19h, mas por volta das 18h o site “De Olho na Fila”, criado pela gestão municipal para facilitar a busca pelo imunizante, mostrava que a vacinação em 316 locais não estava funcionando. O número representa 64,7% do total dessas unidades.

A área da cidade mais afetada pelo problema foi a zona norte, onde 82,6% das 92 unidades de saúde paralisaram a aplicação. Na zona sul, a porcentagem ficou em 82,5%, com a paralisação em 132 de 160 locais de aplicação. Na zona leste (54%) e no centro (40%), o problema parece ter sido menos intenso. E na zona oeste, só duas de 30 unidades (6,6%) foram afetadas nesta segunda-feira.

Nas redes sociais, os moradores compartilharam a dificuldade de vacinação. Uma internauta relatou que tentou se vacinar na UBS do Parque Novo Mundo, no bairro da Vila Maria, zona norte da cidade, na sexta de manhã, mas as vacinas tinham acabado. Ela retornou à unidade nesta segunda-feira, mas informaram que não tinha previsão para a volta do estoque, o que a motivou ir a Guarulhos em busca de um imunizante.

“Com relação ao status ‘não funcionando’, da página ‘De Olho na Fila’, a SMS esclarece que não são unidades fechadas, mas, sim, providenciando o remanejamento/abastecimento de doses para garantir a vacinação nos territórios”, informou a secretaria de Saúde.

O ritmo de vacinação foi acelerado após o mais recente anúncio do governo do Estado em relação ao cronograma de aplicação. A gestão do governador João Doria (PSDB) mudou pela terceira vez o calendário no domingo, 13, para prever que todos os adultos receberão a primeira dose até 15 de setembro. Com isso, desde a semana passada a Prefeitura passou a escalonar as idades para aplicar a vacina em pessoas abaixo dos 60 anos sem comorbidades. 

No sábado, 19, duas unidades de saúde da zona norte da capital já tinham ficado sem doses. As unidades Carandiru e Vila Guilherme ficaram por algumas horas sem o imunizante. Na oportunidade, a Secretaria Municipal de Saúde  informou que “devido a grande procura, ocorreram faltas pontuais e as unidades estão sendo reabastecidas”.

Governo do Estado diz depender de doses do Ministério e cita atrasos na entrega

O governo de São Paulo disse que o calendário estadual tem como base os envios de doses por parte do Ministério da Saúde e defendeu o cronograma estabelecido e divulgado pelo governador João Doria (PSDB).

“Existe um conjunto de datas previstas (de entrega de doses), e é com base nessas datas que o plano prevê a continuidade da vacinação no Estado de São Paulo. O que nós temos observado é que, nem sempre, as datas previstas pelo MS  (Ministério da Saúde) vêm sendo cumpridas”, disse o secretário executivo da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, Eduardo Ribeiro, citando o adiamento na entrega de doses da Janssen, que devem chegar ao País nesta terça-feira.

Ribeiro disse que falhas no cumprimento do cronograma por parte do governo federal “dificultam, mas não impedem a continuidade da vacinação”. “Amanhã, terça-feira, o Estado vai distribuir mais doses do Butantan e de outros fabricantes, para que todos os municípios, não só a capital, sigam avançando no plano estadual de imunização”, acrescentou. 

 

Fonte: Agência Estado

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